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Momento DiVino "Consorzio Vino Chianti e la dolce vita" 09/11/18 - A Tribuna Jornal - Santos
MOMENTO DIVINO 09-11-2018

Santé! O Consórcio Vinhos de Chianti, apresentou, em primeira mão, recentemente, em São Paulo, um excepcional retrato vertical de suas safras e territórios. O evento foi aberto por Giovanni Busi, seu presidente. Seguidamente, nós, profissionais da área, fomos privilegiados com uma explanação abrangente sobre a região toscana, sua cultura e seus vinhos, comandada por Luca Franco, gerente de eventos.

O Consórcio iniciou-se em 1927, reunindo um grupo de viticultores das províncias de Florença, Siena, Arezzo e Pistoia. Reconhecido em 1984 como DOCG, Denominação de Origem Controlada e Garantida, atualizou-se em 2009. Hoje, Pizza e Prato estão também elencadas nas suas áreas de produção. A Denominação “Chianti”, descrita no rótulo, pode vir com menções adicionais de suas sub-regiões: Colli Aretini, Colli Fiorentini, Colli Senesi, Colline Pisane, Montalbano, Rufina e Montespertoli.

Impossível pensar num vinho Chianti sem o identificar com a linda Toscana e seus encantadores ciprestes, bosques, vales, colinas, vilas e certamente com “la dolce vita”.

O Chianti é um dos vinhos mais conhecidos no mundo, sua tradição e história remontam há séculos. É elaborado com a uva Sangiovese, cujas características são distintas em cada solo toscano, microclima e cultivo, e que já teve altos e baixos, mas se afirmou, tanto que 70% da produção é exportada para todo o planeta. Sem contar que é mundialmente pedido e bem-vindo com uma saborosa pizza. Aliás, é um vinho para acompanhar uma bela refeição!

A Sangiovese é a uva símbolo nos Chiantis, que pode receber até 30% de outras castas tintas e brancas autóctones (típicas da região) e até 15% de uvas europeias tradicionais como Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e outras em sua composição. Elaborado a partir de técnicas tradicionais, admite também, hoje em dia, toda a evolução técnica para seu aprimoramento.

Os Chiantis podem ser frutados, frescos e jovens, mas também podem se apresentar mais secos, mais tânicos, e mais concentrados, amadurecendo em barris ou tanques de carvalho, comumente o eslavônio, e posteriormente envelhecer nas garrafas. É um vinho rubi que evolui para o granada. Saboroso, seco, ligeiramente tânico, dependendo de seu tempo de envelhecimento. Os Chianti Riserva (com estágio mínimo de 2 anos em madeira) têm textura leve e adstringência tênue, delicada, mas com personalidade, muito vivo na boca. Dos jovens aos reservas os aromas podem ser frutados e florais, mas também complexos com toques balsâmicos, especiados, tostados e até menta.

Luca Franco em parceria com o especialista Jorge Lucki, conduziu uma degustação de Chiantis Riservas das 7 sub-regiões, onde eu e todos que ali estavam, oportunamente, pudemos analisar e diferenciar suas características visuais, olfativas e gustativas. Sem os rotular com seus devidos produtores, degustamos cada sub-região numa prova de safras diferentes.

AGENDA • BEAUJOLAIS


9/11, hoje, às 13 horas - Almoço harmonizado,coma presença de oito produtores do Club Crus de Beaujolais, na Adega Petit Verdot (Rua Alexandre Herculano, 79). O almoço terá entrada, primeiro prato, prato principal e sobremesa, todos harmonizados com vinhos dessa região francesa, como o ravioli de gorgonzola, damasco e nozes combinado com Fleury 2015 e Moulin à Vent 2015.

O valor é R$ 100 por pessoa.

Informações e reservas pelo telefone 3221-6251.


 


PROVEI E INDICO

Chianti Colli Senesi DOCG Riserva 2015

85% Sangiovese, 5% Colorino, 5% Canaiolo, 5% Merlot. Vinhedos a 350m de altitude. Solo calcário argiloso, estágio de 12 meses em carvalho francês e mais 12 meses na garrafa, até saída da adega.
Cor: rubi de leve intensidade, com violáceo.
Nariz: ameixa, cerejas e toque de violetas.
Boca: seco, frutado, taninos indomados ainda, vai evoluir. 14°GL


Chianti Montalbano DOCG Riserva 2014
100% Sangiovese. Solo marga (rocha sedimentar). Estagia 12 meses em bottis (tonéis eslavos com capacidade para 1000, 2000 até 6000 litros) e mais 12 meses em garrafa.
Cor: rubi pouco intenso.
Nariz: frutas vermelhas, notas minerais, especiarias. frutado e amplo.
Boca: seco, frutado, taninos macios e agradáveis, ótima acidez, equilibrado com 13,5° GL.


Chianti Colline Pisane DOCG Riserva 2013
100% Sangiovese. Solo arenoso-argiloso. 16 meses de carvalho francês e 14 meses em garrafa.
Cor: rubi intenso 14,5° GL.
Nariz: frutas, flores e especiarias.
Boca: seco, boa acidez, taninos presentes, muito agradável.


Chianti Montespertoli DOCG Riserva 2012
Sangiovese, Colorino e Cabernet Franc. Solo de argila e calcário. Estagia em bottis por 4 meses.
Cor: rubi intenso.
Nariz: frutas vermelhas, alcaçuz, especiarias, bastante complexo.
Boca: seco, acidez impecável, taninos elegantes, equilibrado com 14,5° GL. Vinhaço!


Chianti Colli Aretini DOCG Riserva 2011
95% Sangiovese e 5% outras autóctones. Solo de argila. 20 meses de amadurecimento em carvalho.
Cor: rubi intenso.
Nariz: Amoras, groselha, cereja, ruibarbo e alcaçuz.
Boca: seco, acidez intensa, taninos delicados, longo e persistente. 14,5°GL


Chianti Rùfina DOCG Riserva 2009
100% Sangiovese. Solo argiloso, seixo calcário. Vinhedos a 400 m de altitude. 60 % do vinho estagia 24 meses em bottis e barricas francesas, enquanto 40 % em barricas francesas “allier”. 18 meses em garrafa até saída da adega.
Cor: rubi com halo evoluído.
Nariz: frutas vermelhas com toque de violetas e pimenta.
Boca: seco, taninos suaves com toque defumado. Maravilhoso!


Chianti Colli Fiorentini 2006
75% Sangiovese, 20% Canaiolo e 5% Colorino. Solo argiloso com pedras aluviais. Vinhedos a 330 metros de altitude. 30% do vinho estagia em cubas de aço inoxidável e 70 % em barricas de 2° e 3° uso.
Cor: rubi, halo granada.
Nariz: frutas vermelhas e negras.
Boca: seco, acidez presente, 14° GL, envolvente, taninos expressivos e macios, com final persistente e glorioso.


 


 

Durante o evento pude degustar uma dezena de grandes vinhos do Consórcio de Chianti, e destaco um elaborado pelo processo denominado “governo”. O Villa Travignoli Governo – Chianti Rùfina (único vinho no evento já comercializado pela Italia Mais Importadora). O método “governo” é uma tradição local de adição de mosto de uvas muito doces e secas (geralmente a uva Colorino) ao vinho, após a fermentação, para que o mesmo refermente, aumentando sua potência, suavizando sua adstringência (taninos), e promovendo uma agradável espuma que o torna sempre jovial. É um vinho amadurecido antes mesmo de seu engarrafamento.

Chamo a atenção para a distinção desse Consórcio Vinhos Chianti do também tradicional e afamado Consórcio Chianti Clássico. São denominações diferentes na qual a DOCG Chianti Classico tem o “galo nero” como símbolo e marca, e regras específicas em torno de cultivo da uva Sangiovese e sua vinificação.


Os vinhos apresentados no evento estão à procura de importadores.


Oxalá, que venham!

Até a próxima taça.


momentodivino@atribuna.com.br


 
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